Configurando o Arch Linux (1ª parte)

Depois de muitíssimo tempo sem postar dicas, resolvi tomar vergonha na cara e escrever uma. Acho que não irei me delongar tanto a ponto de escrever mais de duas ou três postagens, pois o que escreverei aqui não é tão complexo e longo. O Arch Linux, como já citei em outro post, é uma distribuição simples de configurar. Só não gosta quem tem pavor do KISS (não é a banda, é o Keep It Simple, Stupid). Bem, eu não tenho, e acho que tu, caro leitor, também não tens. Aqui me atentarei mais às configurações realizadas para uma inicialização de sistema tranquila.

CONFIGURANDO A LOCALIZAÇÃO

O que mais irei alterar nesta postagem será o /etc/rc.conf. Portanto, prepara teu vi, emacs, kwrite, gedit ou qualquer outro editor de textos e um acesso ao administrador (pode ser sudo ou usuário direto), pois  aqui vão uma enxurrada dicas do que se por nas linhas do principal arquivo de configuração do Arch Linux:

  • LOCALE: Esta é a variável que cuida do idioma do sistema. A língua escolhida neste ponto será usada por todos os programas que suportem-na. Vale lembrar que tu podes obter uma lista dos idiomas disponíveis executando locale -a em um terminal. O padrão (en_US.utf8) deixará o sistema em inglês. Para deixá-lo em português deve-se utilizar pt_BR.utf8 ou pt_PT.utf8, para o português brasileiro ou europeu.
  • HARDWARECLOCK: Especifica se o relógio físico da máquina, o qual é sincronizado durante a inicialização, está configurado de acordo com dois tipos de horários: a hora universal (UTC) ou local (localtime). O UTC é de grande utilidade para locais que possuem o horário de verão, enquanto o localtime torna-se necessário se tu utilizas no mesmo computador um sistema operacional que não diferencia o horário um do outro.
  • TIMEZONE: Especifica o fuso horário da tua localidade. Os valores prováveis aqui são os caminhos relativos a um arquivo, começando do diretório /usr/share/zoneinfo. Por exemplo, se você mora na região leste do Brasil, deve utilizar Brazil/East, que se refere ao arquivo /usr/share/zoneinfo/Brazil/East. Outras opções são Brazil/West, Brazil/Acre e Brazil/DeNoronha. Os portugueses devem usar apenas Portugal.
  • KEYMAP: O mapa de teclado a ser utilizado. Se tu tens um teclado brasileiro (com a tecla ç), deves utilizar br-abnt2. Se possui um teclado americano e quer utilizar acentos, deve usar us-acentos. Em /usr/share/kbd/keymaps encontrará outras opções. Essa configuração somente afetará o console do sistema e portanto não terá efeito algum nos gerenciadores de janelas ou no X puro.
  • CONSOLEFONT: Define a fonte utilizada no console. Possíveis valores encontram-se em /usr/share/kbd/consolefonts. Confesso que essa eu comecei a utilizar poucas semanas atrás, e sabe que gostei? Arranjei uma boa fonte (uma tal de Terminus Font que tanto falavam bem) e estou utilizando até este exato momento.
  • CONSOLEMAP: Define o mapa de console utilizado. Os mapas possíveis estão em /usr/share/kbd/consoletrans. Você irá querer configurar isso para um mapa relacionado ao seu locale (8859-1 para Latin1, por exemplo) se estiver usando um locale utf8 acima, e utilizar programas que geram saída 8-bit. Se somente utiliza o X11 no dia-a-dia não precisa se preocupar pois essa configuração só afeta a saída de programas no console.
  • USECOLOR: Ativa (ou desativa) mensagens de estado coloridas durante a inicialização do sistema. Eu pessoalmente gosto daquele boot colorido que temos no Arch Linux. Bem, todas as máquinas aqui, exceto a que estou utilizando agora para escrever esta dica (ela usa o fbsplash na inicialização – e que sofrimento para instalar isso!) tem configuradas por padrão o boot em modo texto e, claro colorido.

CONTROLANDO MÓDULOS OPCIONAIS

Ainda no mesmo arquivo há um setor que cuida somente de carregar os módulos do kernel (parecidos com os drivers do Windows) que não foram inicializados automaticamente. Quase sempre temos poucos deles a serem carregados neste arquivo, pelo menos nos casos aqui em que instalei esta distribuição GNU/Linux. Então vamos lá:

  • MOD_AUTOLOAD: Se configurado para “yes”, o Arch irá detectar seu hardware durante a inicialização e tentar carregar os respectivos módulos. Isso é feito com a ferramenta hwdetect. Nunca testei para ver o que deve de acontecer se deixo em “no” nesta variável. Acho que nem é bom saber… :)
  • MOD_BLACKLIST: Essa é uma lista de módulos que você não quer que sejam carregados durante a inicialização. Por exemplo, se não gostar daquele irritante alto-falante interno, pode colocar o módulo pcspkr nessa lista negra. É bom avisar aqui que esta linha está marcada como deprecated, pois não é recomendada seu uso.
  • MODULES: Aqui você pode listar os nomes dos módulos a serem carregados durante a inicialização sem precisar relacioná-los aos dispositivos, igualmente ao modprobe.conf. Somente adicione o nome do módulo aqui, e coloque quaisquer opções adicionais no modprobe.conf se necessário. Adicionando-se um ponto de exclamação (!) antes do módulo irá impedir seu carregamento na inicialização (não é o mesmo que o MOD_BLACKLIST!), possibilitando “comentar” certos módulos rapidamente quando necessário.
  • USELVM: Procura por volumes LVM durante a inicialização; necessário se você usa LVM. Bem, eu não uso, provavelmente tu não usa, e podemos passar adiante.

INICIALIZANDO A REDE DO SISTEMA

Esta parte é importante para que tua rede funcione no Arch Linux, seja ela a cabo, wireless, 3G ou outra. A configuração que é feita neste setor do arquivo rc.conf só é aproveitável para mim em máquinas com conexão a cabo, pois sua instalação é muito mais fácil e simples do que uma sem fio.

  • HOSTNAME: É o nome da máquina, sem a parte do domínio. Tu tens a liberdade de escolher um, contanto que só utilize letras, números e alguns poucos caracteres especiais como o hífen. Em caso de dúvida nesta parte, sem problemas, pode deixar o nome padrão.
  • INTERFACES: Aqui você define as configurações das interfaces de rede. As linhas já presentes e os comentários explicam como deve ser feito. Se você não usa DHCP, tenha em mente que o valor da variável (a qual o nome representa o nome do dispositivo a ser configurado) é exatamente a linha de argumentos que você daria ao comando ifconfig se estivesse configurando o dispositivo manualmente através do terminal. Caso tu use o NetworkManager ou outro gerenciador de rede, apenas pule esta parte, assim como eu pulo. :)
  • ROUTES: Você pode definir suas próprias rotas estáticas aqui. Para ter uma idéia de como fazer, veja o exemplo para um gateway padrão. Basicamente, você cria uma rota com os argumentos que passaria ao comando route add, se fosse fazer manualmente. Leia o manual do comando route (man route) se não souber o que escrever aqui, ou simplesmente deixe como está que tu não terás problemas e incômodos futuros com esta linha.
  • NET_PROFILES: Ativa certos perfis de rede durante a inicialização. Perfis de rede são uma das maneiras mais convenientes de gerenciar múltiplas configurações de rede, e seu objetivo é substituir a configuração padrão INTERFACES/ROUTES que é ainda mais recomendada para sistemas que possuem apenas uma única configuração para toda a máquina. Se seu computador irá participar de várias redes distintas (um portátil, por exemplo) então você deveria dar uma olhada no diretório /etc/network-profiles para configurar alguns perfis. Lá você encontrará um arquivo de exemplo a partir do qual poderá criar novos perfis. Acredite, já entrei lá e encontrei um bocado de amostras boas para uso na configuração.

ATIVANDO E DESATIVANDO SERVIÇOS

Tal é a organização e a simplicidade desta distribuição que ela permite que, utilizando apenas sua última linha do rc.conf, por serviços para inicializar ou não, muito diferente do que vejo em outras distribuições (que aliás, sem ferramentas gráficas nestas acabo sofrendo um pouquinho. A variável DAEMONS funciona da seguinte forma: se houver um ponto de exclamação (!) antes do nome do script, ele não será executado. Se ao invés disso houver um arroba (@), então ele será executado em segundo plano (background), ou seja, a sequência de inicialização não irá esperar por um retorno do script (se falhou ou não) para poder continuar.

Normalmente você não precisa modificar nada aqui para que o sistema simplesmente funcione, mas definitivamente será necessário modificar essa lista quando você instalar algum serviço como o sshd (Terminal Remoto, uso de vez em quando), e quiser que ele seja carregado automaticamente durante a inicialização. Esse é basicamente o jeito Arch de lidar com o que os outros lidam utilizando-se de vários links simbólicos para um diretório init.d. Simples, não? Vale lembrar que a ordem em que os daemons são listados é importante pois é nessa ordem que eles são carregados. Por exemplo, dbus deve vir antes de hal, a menos que você queira ver algumas mensagens de erro durante a inicialização.

Como alguns devem ter percebido, minha fonte da vez foi o Wiki do Arch Linux. Apesar disso, fiz algumas pequenas mudanças e dei um toque um pouco mais “humano”, como faço em meus posts de Rock. Espero que este conjunto de posts já esteja sendo útil para quem leu, seja para testar o Arch, para usar ou apenas para observar seu funcionamento. A todos agradeço a atenção. Dentro de alguns dias irão iniciar os preparativos para o lançamento de meu projeto para a comunidade, com o objetivo de conseguir colaboradores para as mais diversas áreas de desenvolvimento dele. Entrarei em detalhes nos próximos posts.


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