Como já havia comentado na primeira postagem sobre esta configuração, ela não é tão complicada quanto a de outras distros GNU/Linux no modo texto. Claro que deve de haver alguma outra distribuição que seja muito mais simples e fácil de “arrumar a casa”, porém a que eu melhor conheço é esta e aqui mostrarei o final desta dica.
INTERNACIONALIZAÇÃO DO SISTEMA
Há muita pouca coisa a se fazer nesta parte. Um pedaço dela já foi feito no último post (quando o valor de LOCALE no rc.conf foi trocado para pt_BR.utf8 ou pt_PT.utf8) e outra será feita agora. Num editor de textos qualquer, acesse como root o arquivo /etc/locale.gen. Então descomente essas linhas:
pt_BR.UTF-8 UTF-8
pt_BR ISO-8859-1
Ou, caso tu sejas um português, descomente as linhas que estão abaixo destas que citei:
pt_PT.UTF-8 UTF-8
pt_PT ISO-8859-1
Isso fará com que todos os programas utilizados na distribuição que possuem suporte para a língua portuguesa usem-na. Caso o programa não tenha esta tradução, ele automaticamente usa o inglês. Simples e fácil, não?
ALTERANDO PERMISSÕES DA REDE
Para este processo utilizamos os arquivos /etc/hosts.deny e /etc/hosts.allow. O primeiro proíbe o acesso à rede de tua máquina por quem tu definires nele. O segundo faz o contrário, permite o mesmo acesso. A sintaxe dos dois é muito parecida. Segue abaixo um trecho de código deste dos respectivos:
ALL: ALL: DENY
ALL: ALL: ALLOW
O primeiro “ALL” serve para dizer qual aplicação será permitida e/ou proibida de acessar a rede de tua máquina. Note que os programas que tu vais especificar aqui são de acesso remoto, e esta configuração nada tem a ver com o acesso a internet. Se tu não precisares disso, siga adiante. O segundo “ALL” serve para especificar qual usuário poderá ter a permissão e/ou a proibição. Como neste exemplo:
ssh: usuario: ALLOW
Eu sou um usuário do Arch Linux há um tempo e digo que faço uma má prática nesta parte: eu comento o ALL: ALL: DENY e descomento o ALL: ALL: ALLOW. Recomendo fortemente que tu não faças isso, pois pode comprometer um pouco da segurança de teu sistema. É o clássico “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.
TROCANDO O NOME DA MÁQUINA
Caso a troca do valor de HOSTNAME no rc.conf não tenha dado certo no último post, tente trocar o nome que se encontra em /etc/hosts, na coluna onde diz hostname. Com estes campos trocados eu tenho certeza de que ele irá trocar o nome da máquina. Além de enfeitar teu terminal, o hostname é um jeito mais amigável de chamar uma máquina. Se não fosse por isso, você teria que decorar o endereço IP de cada máquina tua. Seria bem desagradável, não?
OUTROS ARQUIVOS DE CONFIGURAÇÃO
Temos também o clássico /etc/fstab, o /etc/mkinitcpio.conf, o /etc/modprobe.d/modprobe.conf e o /etc/resolv.conf. Reuni estes porque provavelmente tu não vais modificar ele, desde que use o HAL previamente configurado e não necessite customizar o kernel. O fstab lista pontos de montagem. Para quem vive no terminal, ele até é um tanto útil para dispositivos removíveis(pendrive, cartão, CD, DVD…), mas para quem usa o modo gráfico como eu, com o hal e seus apetrechos ativados, não é necessário modificar alguma coisa aqui. O resolv.conf é um arquivo que dá preferência ao endereço IP que a máquina quer utilizar. Nunca precisei mexer neste, apesar de que ele poderia ajudar-me a parar as constantes mudanças de endereço. O modprobe.conf tu só vais mexer caso algum módulo não esteja sendo carregado corretamente. Esse eu precisei mexer uma vez, para que o microfone de meu notebook funcionasse:
options snd-hda-intel model=auto
Já vou deixando aqui caso alguém esteja com o mesmo problema. O mkinitcpio.conf é onde podemos customizar a inicialização do kernel Linux, que módulos deve utilizar e alguns serviços. Eu tive de mexer aqui para que o FBSplash pudesse funcionar na inicialização. Quanto à instalação deste aí que citei, não recomendo muito, pois tu tens de fazer muita coisa para que ele fique tinindo. Quem sabe, algum dia eu publico um post sobre esse mesmo assunto de que tratei.
MANTENDO O SISTEMA COM O PACMAN
O pacman é o gerenciador de pacotes do Arch Linux, assim como o apt-get é para o Debian/Ubuntu, o yum é para o Fedora, e por aí vai. É programa extremamente simples de usar. Antes de utilizá-lo, devemos ver se está apropriadamente configurado. Acesse o arquivo /etc/pacman.conf e veja se tem um pedaço do código parecido com este:
[core]
# Add your preferred servers here, they will be used first
Include = /etc/pacman.d/mirrorlist
[extra]
# Add your preferred servers here, they will be used first
Include = /etc/pacman.d/mirrorlis
[community]
# Add your preferred servers here, they will be used first
Include = /etc/pacman.d/mirrorlist
Se estiver um pouco diferente, não se assuste, provavelmente nas linhas onde tem o Include deve de haver um endereço web. Recomendo que troque para o /etc/pacman.d/mirrorlist. Só resta ver qual mirror deseja ativar no mirrorlist. Para tanto, descomente uma ou mais linhas de servidores, como no trecho do arquivo abaixo:
# Brazil
#Server = ftp://archlinux.c3sl.ufpr.br/archlinux/$repo/os/i686
#Server = http://archlinux.c3sl.ufpr.br/$repo/os/i686
#Server = ftp://ftp.las.ic.unicamp.br/pub/archlinux/$repo/os/i686
Server = http://pet.inf.ufsc.br/mirrors/archlinux/$repo/os/i686
Com isso configurado, tu estás pronto para usar o pacman. Para sempre manter os aplicativos e bibliotecas do sistema atualizados, sempre digite, como root num terminal o seguinte:
# pacman -Syu
Somente com este comando, tu consegues atualizar os repositórios na tua máquina e atualizar todos o pacotes. Caso queira instalar e/ou atualizar um programa (note que o comando que apresentei já atualiza todos eles), segue o exemplo abaixo, novamente como root no terminal:
# pacman -S firefox
Caso tu não queiras mais o programa instalado na tua máquina, execute o seguinte comando, do mesmo modo que os outros dois:
# pacman -Rscn firefox
Este comando não só remove o programa, mas também todos as bibliotecas que ficarão inutilizadas depois da remoção do mesmo e outros pacotes relacionados com ele. Eu usava a opção -Rd, porém ela deixa muito lixo no teu sistema e por isso recomendo a que está no exemplo. Então, a manutenção é fácil, não? Pois bem, este é o objetivo do Arch.
A única parte da configuração que ficou pendente foi a da inicialização no GRUB ou no LILO, que não são exclusivas da distribuição e, portanto, pode-se utilizar as mesmas modificações que tu fazes em outras distribuições. Por aqui encerro esta dica, na esperança de que a informação que passei aqui tenha sido pelo menos um pouco útil e, claro, correta e precisa. A todos agradeço a atenção pela leitura de mais uma postagem minha.